A Necessidade de Pertencer e o Fascínio pelos Diagnósticos
A Necessidade de Pertencer e o Fascínio pelos Diagnósticos
Por Luciano Grenga
Acreditem, as pessoas parecem ter uma inclinação ao sofrimento. Talvez seja por isso que aceitam, necessitam e acolhem com tanta intensidade diagnósticos de transtornos emocionais como Ansiedade, Depressão e TDAH. De alguma forma, ter um rótulo faz com que elas se sintam pertencentes a um grupo específico.
Somos animais sociais e o pertencimento é uma necessidade biológica. Segundo a Teoria do Pertencimento, proposta pelos psicólogos Roy Baumeister e Mark Leary, os seres humanos possuem um impulso intrínseco para formar e manter relacionamentos interpessoais mínimos. Este estudo seminal mostra que a falta de pertencimento está ligada a uma série de consequências mentais negativas.
"Talvez ter um nome comum para o que sentem traga algum conforto, algo como 'não estou sozinho' ou 'tem outras pessoas que sofrem comigo'."
A Patologização da Vida Cotidiana
Mas será que esses diagnósticos estão sempre corretos? Ou estamos medicalizando a existência?
Será que a depressão não é, por vezes, apenas uma tristeza profunda por perdas comuns da vida? O conceito de "Patologização do Sofrimento" tem sido amplamente debatido. O Dr. Allen Frances, que liderou a força-tarefa do DSM-IV, alerta em seu livro "Voltando ao Normal" que estamos transformando problemas humanos cotidianos em transtornos mentais, o que ele chama de "inflação diagnóstica".
A ansiedade, em muitos casos, pode ser apenas a preocupação natural com a realidade: contas, pressão profissional e conflitos relacionais. É a resposta do corpo ao estresse, e não necessariamente uma disfunção química permanente.
TDAH ou Economia da Atenção?
E o TDAH? Quem sabe ele não seja, na verdade, uma falta de interesse em tarefas monótonas em um mundo que oferece recompensas dopaminérgicas imediatas? Nos últimos anos, fomos treinados a ser recompensados em 15 segundos pelos algoritmos das redes sociais.
Pesquisas indicam que o uso excessivo de telas está reconfigurando nosso sistema de recompensa. Um estudo publicado na Journal of Computer-Mediated Communication discute como o design das redes sociais é feito para capturar a atenção através de ciclos de dopamina, o que pode simular sintomas de déficit de atenção em pessoas saudáveis.
Reaprendendo a Viver o "Humano"
Talvez estejamos apenas querendo fazer parte de uma "gaveta" ou uma "caixinha" para chamar de nossa. Aprendemos a viver em bolhas sociais que nos mostram apenas o que queremos ver, reforçando nossos próprios vieses de confirmação.
A provocação que deixo é: devemos reaprender a viver a tristeza, a decepção e o tédio. Lidar com os contrários faz parte da experiência humana. Nem tudo é um CID; às vezes, é apenas a vida acontecendo e exigindo de nós a resiliência de não ser apenas um diagnóstico.
Luciano Grenga é psicanalista, terapeuta e autor do livro "Você Não é a Sua Mente, mas Ela é Sua". Com uma formação sólida em Psicanálise (Freud, Lacan, Jung), Neurociências e PNL, ele tem ampla experiência em auxiliar pessoas a lidar com questões emocionais, promovendo o autoconhecimento e o desenvolvimento pessoal através da psicanálise.
Atendo com terapia psicanalítica presencialmente no Jardim Prudência – São Paulo, próximo à Vila Mascote, Campo Grande, Campo Belo e Jardim Marajoara, e também online para sua comodidade.
Para saber mais e agendar sua sessão, visite www.luciano.grenga.com.br ou entre em contato pelo Instagram: @luciano.grenga.
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